São Pio V, Papa

Para mim, é sempre engraçado olhar a história, principalmente a história da Igreja e perceber que há aqueles que se denominam «Conservadores» e os «Liberais/Progressistas». É sempre engraçado...

Mas, mais engraçado que isso é perceber que ao que chamam conservador, em tempos foi liberal e o que nós chamamos, hoje, progressista, daqui a uns anos será conservador. Ora, quando celebramos a memória de São Pio V isto é mais claro. 

No seu tempo, foi chamado de renovador e reformador por querer pôr em prática as normas e normativas do Concílio de Trento, cuja conclusão teve lugar pouco tempo antes de ser eleito Papa. No seu tempo, por querer reformar e ordenar a liturgia foi considerado um liberal e um revolucionário, contudo hoje é dos santos mais chamados pelos «conservadores» por causa do Missal que organizou.

Mas, quem era Pio V?

Nasceu, em Itália, em 1504 com o nome de Antonio Ghislieri. 

Aos 14 anos, entra na Ordem de São Domingos e toma o nome de Miguel, vivendo em vários conventos da Ordem, no norte de Itália, nomeadamente o Convento de Bolonha. Em 1528 é ordenado presbítero e vai para Pavia. 

Conhecido pelo seu amor à doutrina católica e à pregação contra as heresias, torna-se Inquisidor e em 1550, tendo sido ordenado Bispo, toma a Sede de Sutri e Nepi (hoje extinta) e, no ano seguinte, criado Cardeal, pelo Papa Paulo IV. O mesmo Papa acaba por nomeá-lo Inquisidor-mor, abandonando tal cargo pela nomeação para a Sede do Piemonte.

É um dos seis papas da Ordem dos Pregadores: Inocêncio V (1276); Bento XI (1303); Nicolau V (1447); Pio V (1566); Bento XIII (1724) e Pio XII (terceiro dominicano, 1939).
 
Depois da morte de Pio IV, foi eleito Papa, em 7 de Janeiro de 1566 e entronizado dez dias mais tarde.

O seu pontificado foi interessante: recusou usar as vestes papais próprias e decidiu usar o hábito dominicano (por isso o Papa veste-se de branco); reduziu drasticamente os custos da Cúria Romana; redigiu o catecismo; ordenou o ensino de São Tomás de Aquino nas Universidades; Re-afirmou a importância da formação nos seminários criados pelo Concílio de Trento; mandou regular-se o Culto Divino para assim evitar os abusos litúrgicos (o Missal de Pio V).

Para a Ordem dos Pregadores, a sua passagem pela Cadeira de Pedro foi benéfica, em vários aspectos, porque cobriu de graças a Ordem, com diversos indultos.

São Pio V, invoca a Santíssima Virgem do Rosário para
a Batalha do Lepanto.
A ele se deve a vitória da Batalha de Lepanto, a 7 de Outubro de 1571, contra os muçulmanos. Segundo reza a lenda, o Papa Pio V, invocando a Virgem Maria, partiu para a batalha e tendo ganho tal guerrilha, instituiu a Festa de Nossa Senhora do Rosário, de cujo patrocínio a Ordem dos Pregadores beneficia. 

Celebrar Pio V é celebrar mais um exemplo de entrega à Igreja Universal e de amor a Cristo. Imprimindo o carácter dominicano no Papado, São Pio V foi muito mais que um liturgista ou um rubricista, mas foi, antes de tudo, um homem apaixonado por Cristo. 

Como vemos, São Pio V não é só o Papa do missal, nem da liturgia que hoje se chama conservadora, porque nem tudo se reduz a normas e rubricas, ele foi capaz de por em prática as inovadoras reformas do Concílio de Trento que, a seu tempo, deviam ser bem inovadoras, visto que a Igreja passava por uma crise a vários níveis.

Que sejamos nós, também, capazes de nos abrirmos ao amor de Cristo pela Igreja e dêmos tudo o que somos e temos pela causa do Evangelho. 

São Pio V, rogai por nós!

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