Jesus Cristo, Rei do Universo

«Jesus respondeu-lhe: «É como dizes: sou rei. Para isso nasci e vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz». »
(cfr. Jo. 18, 37)

Chegamos, com esta Solenidade, ao fim de um ano litúrgico, ao fim de um ciclo de meditação sobre os mistérios da vida de Jesus. 

Hoje, proclamamos a Cristo como Rei: não um rei com ceptro, nem coroa, nem sequer um trono. Proclamamos a Cristo, Rei do Universo, do Mundo e dos que dele fazem parte. 

Como sabemos da história, esta festa vem de um período conturbado da história, no qual o Papa Pio XI quis motivar os católicos que o líder da Igreja não era o Papa, mas Cristo, do qual ele é representante. Mais tarde, foi-lhe dado outro sentido, aquele que nos chegou e por isso celebramos esta solenidade.

O Evangelho deste Domingo é retirado da Paixão segundo São João, aquela que lemos e proclamamos ano após ano na Sexta-Feira Santa. Nele Jesus responde a Pilatos que, na verdade, era Rei, mas um Rei diferente, um rei que usa uma coroa de espinhos, em vez de uma coroa de ouro; um rei que troca o trono pela cruz, que troca o seu poder régio pelo serviço, pelo amor, pela misericórdia. Assim é o Reino de Cristo.

É um reino diferente, porque o Reino de Deus, como diz Santo Agostinho, na sua homilia sobre o Evangelho de S. João, «são os que acreditam nele, aqueles a quem Ele diz: 'Não sois do mundo, tal como Eu não sou do mundo'»

Somos nós o Seu reino, pois foi para isso que Cristo veio ao Mundo, não para nos dominar, mas para nos salvar; não para nos dispersar, mas para nos reunir; não para nos condenar, mas para nos salvar. É este o Reino de Deus, o qual Cristo mostrou já presente em nós e no meio de nós.

Para terminar, cito, mais uma vez, Santo Agostinho no seu comentário ao Evangelho de S. João. (Peço desculpa por andar a fazer tantas citações dos Padres da Igreja, mas tenho andado a ler bastante porque estou a ter aulas de Patrologia.) Diz Santo Agostinho:

«Na verdade, o seu Reino está aqui na terra até ao fim do mundo; até à colheita, o joio está misturado com o trigo (Mt 13,24s). [...] O seu Reino não é deste mundo porque Ele é como um viajante neste mundo. Àqueles sobre quem reina, diz: « Não sois do mundo, pois escolhi-vos do meio do mundo» (Jo 15,19). Eles eram, portanto, deste mundo, quando ainda não eram o seu Reino e pertenciam ao príncipe deste mundo. [...] Todos os que são gerados da raça de Adão pecador pertencem a este mundo; todos os que foram regenerados em Jesus Cristo pertencem ao seu Reino e já não são deste mundo.
«Deus arrancou-nos efectivamente do poder das trevas e transportou-nos para o Reino de seu Filho muito amado» (Col 1,13).»

Queridos amigos, que preparemos o nosso coração para que, como diz S. Paulo, «a paz de Cristo reine em vossos [nossos] corações». Na verdade, pelo baptismo fomos consagrados a Deus para permanecermos «membros de Cristo Sacerdote, Profeta e Rei» (cfr. Ritual do Baptismo). Que seja esse o nosso reinado, unidos a Cristo, rei das nossas vidas.

Bom domingo.






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